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Pré-diabetes tem cura?
Por Duda Camargo, nutricionista CRN-10/7247 · Publicado em · Atualizado em
Se você chegou até aqui, é provável que tenha recebido um exame de rotina com a glicemia ou a hemoglobina glicada fora da faixa, alguém tenha dito para você maneirar no açúcar, e o retorno com a médica só seja daqui a dois meses. Este texto é para esse intervalo, que é justamente onde quase todo mundo fica parado.
A resposta direta, antes de qualquer explicação
Pré-diabetes não é uma doença que se cura com um tratamento e acaba. É um estado do seu metabolismo, e estados mudam nos dois sentidos. Para parte das pessoas, os exames voltam a ficar dentro da faixa de referência e permanecem lá por anos. Para outras, não voltam, e mesmo assim o quadro segue controlado por muito tempo. E existe um terceiro grupo, em que o quadro progride para diabetes tipo 2.
Nenhum profissional sério consegue te dizer hoje em qual desses grupos você está. Quem te disser que consegue está vendendo alguma coisa.
Eu sei que essa não é a resposta que a sua busca prometia. Metade dos resultados que você encontrou promete reversão em um número de dias. Eu prefiro te dar a resposta que se sustenta na consulta seguinte, e não a que fecha melhor um título.
Por que eu não uso a palavra reversão
Não é preciosismo de vocabulário. Reversão sugere que existe um ponto de chegada, uma linha que você cruza e depois pode esquecer o assunto. Não é assim que o corpo funciona. O que muda o seu exame é o que você faz de forma sustentada, e o exame acompanha isso enquanto o comportamento se mantiver. Quando alguém promete reversão e o número volta a subir seis meses depois, a pessoa não conclui que a promessa era falsa. Ela conclui que ela mesma falhou. Eu já recebi muita gente no consultório carregando essa conclusão, e ela atrapalha mais do que o exame alterado.
Existe também uma razão profissional. O código de ética do meu conselho veda prometer resultado, e a norma que entra em vigor em janeiro de 2027 aperta ainda mais esse ponto. Eu concordo com a regra, e ela é mais fácil de cumprir do que parece: o que eu tenho para prometer é o processo, não o número.
Quem está escrevendo isto
Sou Duda Camargo, nutricionista, CRN-10/7247, mestre em Nutrição pela UFSC, com residência multiprofissional em Atenção Básica e Saúde da Família. Antes do consultório passei por SUS, alimentação escolar e sistema prisional, que é formação de saúde pública e não de estética. Hoje atendo diabetes e saúde metabólica, e vivo com diabetes tipo 1 desde os nove anos.
Isso não me faz saber nada sobre o seu caso, e eu não vou fingir que faz. Mas me fez conviver com glicemia por mais de vinte anos, e isso muda quais perguntas eu faço na primeira consulta.
Não é falta de vontade, é falta de estrutura
Quase todo mundo que chega até mim com exame alterado já tentou alguma coisa antes. Cortou pão por três semanas, comprou um adoçante diferente, começou a caminhar e parou. E a leitura que a pessoa faz disso é sempre a mesma: eu não tenho disciplina.
Na maioria das vezes não é disciplina que faltou. Foi estrutura. Um plano que supõe que você almoça em casa quando você almoça no trabalho não falha porque você é fraca. Ele falha porque foi desenhado para outra pessoa. Um plano que exige três preparos por dia de alguém que chega em casa às vinte e uma horas dura o tempo do entusiasmo, e não mais que isso.
Essa distinção importa porque muda o que se conserta. Se o problema é a sua força de vontade, não há muito o que fazer além de tentar querer mais. Se o problema é o desenho, dá para redesenhar.
O que costuma mexer no resultado de verdade
Nada do que vem abaixo é personalizado, porque eu não conheço o seu histórico, os seus medicamentos nem os seus exames. É o terreno comum, o que eu costumo olhar primeiro.
A composição da refeição pesa mais do que a proibição de um alimento isolado. A mesma quantidade de carboidrato acompanhada de proteína, gordura e fibra se comporta de um jeito diferente de quando vem sozinha. Isso é mais útil do que uma lista de alimentos proibidos, e bem mais fácil de sustentar.
A previsibilidade da semana pesa mais do que a perfeição do dia. Uma rotina alimentar razoável que acontece cinco vezes por semana vale mais do que uma rotina impecável que acontece duas.
Movimento, sono e estresse entram na conta metabólica, não são categoria à parte. Quem dorme mal e trabalha sob pressão tem um terreno diferente de quem não está nessa situação, e ignorar isso é o motivo de muitos planos alimentares corretos no papel não funcionarem na vida.
E existe um fator que quase ninguém trata como fator: ter uma data marcada para reavaliar. Pré-diabetes não dói, não incomoda e não aparece. Sem um exame de retorno agendado, o assunto some da sua semana em quinze dias. Não por descaso, mas porque a vida ocupa o espaço.
O que eu não prometo
Não prometo número de exame, prazo de normalização, quilos perdidos nem cura. Não trabalho com antes e depois, e não vou te mostrar o resultado de outra pessoa como se fosse previsão do seu. O caso da outra pessoa é o caso dela.
O que eu prometo é processo: uma consulta de sessenta a noventa minutos que olha o seu histórico, seus exames, seus medicamentos e a sua rotina real; um plano em até três dias úteis feito para a semana que você de fato tem; e suporte entre as consultas, porque o ajuste não acontece no dia da consulta, acontece na terça-feira às vinte e uma horas quando a dúvida aparece.
Perguntas que aparecem toda semana
Preciso cortar carboidrato? Não, e cortar costuma ser exatamente o que faz o plano durar pouco. O trabalho é aprender a encaixar, não a eliminar.
Pré-diabetes sempre vira diabetes tipo 2? Não. É um risco aumentado, não um destino. E é justamente por não ser destino que essa fase merece atenção.
Em quanto tempo eu vejo mudança no exame? Depende do seu ponto de partida e do que for possível mudar na sua rotina. Quem te der um prazo antes de ver os seus exames está adivinhando.
Preciso emagrecer? Peso e resistência à insulina se conversam, mas o objetivo do acompanhamento é metabólico, não estético. Eu não trabalho com emagrecimento como fim em si.
Dá para resolver sozinha, sem nutricionista? Para algumas pessoas, sim. Se você já tentou por conta própria mais de uma vez e não sustentou, a chance de o problema estar no desenho, e não em você, é alta.
Se você quiser começar por algo pequeno
Não precisa marcar consulta hoje. Se quiser só entender melhor o terreno antes de decidir qualquer coisa, tenho um guia gratuito sobre alimentação no diabetes que serve bem para quem está nessa fase inicial. E se preferir conversar, me chame: eu faço três perguntas para entender o seu momento e te digo com honestidade se o meu acompanhamento faz sentido para o seu caso. Se não fizer, eu digo isso também, e aponto o caminho.
Atendo presencialmente em Florianópolis, no Espaço Cora, na Agronômica, e online para todo o Brasil. O processo é o mesmo nas duas modalidades, e o preço também.
Quero conversar com a DudaPara ir além: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, ed. 2026 — Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes tipo 2.
Maria Eduarda Zytkuewisz Camargo, CRN-10/7247. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.