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Duda CamargoNutricionista · Diabetes

Blog · Pré-diabetes

Glicemia de jejum entre 100 e 125: o que significa e o que fazer agora

Por Duda Camargo, nutricionista CRN-10/7247 · Publicado em

O exame chegou, você abriu antes da consulta e a glicose de jejum estava entre 100 e 125. Talvez alguém tenha dito que "está no limite" ou "quase normal". Este texto explica o que esse número significa, quais exames completam o quadro e o que você pode fazer agora, enquanto espera o médico.

A resposta direta

Pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL indica pré-diabetes (o nome técnico do resultado é glicemia de jejum alterada). Não é diabetes. É um sinal de que o corpo já está fazendo mais esforço para manter a glicose no lugar, e é a fase em que agir tem mais efeito.

Os três exames e os números

Faixas de referência pela Diretriz da SBD
ExameNormalPré-diabetesDiabetes
Glicemia de jejummenos de 100 mg/dL100 a 125 mg/dL126 mg/dL ou mais
Hemoglobina glicada (HbA1c)menos de 5,7%5,7% a 6,4%6,5% ou mais
Curva glicêmica (TOTG), 2 horas após 75 g de glicosemenos de 140 mg/dL140 a 199 mg/dL200 mg/dL ou mais

O diagnóstico de diabetes exige confirmação: dois exames alterados, na mesma amostra ou em amostras diferentes, conforme a interpretação médica. Um único resultado de pré-diabetes já é motivo para conversar com o médico, mas não para pânico.

Por que um único número não fecha a história

A glicemia de jejum mostra a glicose numa manhã. Ela pode variar com uma noite mal dormida, um jejum mais longo do que o pedido, infecção recente ou estresse. A hemoglobina glicada reflete a média dos últimos dois a três meses, e a curva glicêmica mostra como o corpo responde a uma carga de glicose. Por isso o médico pode pedir um segundo exame ou outro tipo de exame antes de concluir qualquer coisa.

Se você ainda não fez a glicada, vale levar a pergunta para a consulta: "devo fazer hemoglobina glicada ou curva glicêmica para completar?".

O que o pré-diabetes quer dizer, na prática

Na maioria das pessoas, o pré-diabetes está ligado à resistência à insulina: as células respondem menos à insulina, e o pâncreas compensa produzindo mais. Durante um tempo, isso segura a glicose quase normal. Quando a compensação não dá conta, a glicose começa a subir, primeiro para a faixa de pré-diabetes e, em parte das pessoas, depois para diabetes tipo 2.

Essa progressão não é obrigatória. O estudo mais citado sobre o tema, o Diabetes Prevention Program, acompanhou adultos com pré-diabetes nos Estados Unidos. Quem participou do programa de mudança de estilo de vida, com meta de perder cerca de 7% do peso (em quem tinha excesso de peso) e de fazer 150 minutos de atividade física por semana, teve 58% menos casos novos de diabetes tipo 2 em cerca de três anos do que o grupo de comparação.

O que fazer nas próximas semanas

1. Leve o exame ao médico. Ele vai decidir se é preciso repetir, completar com outros exames e se há indicação de medicamento. Em algumas situações, a metformina é considerada no pré-diabetes; essa decisão é médica.

2. Comece pelo movimento. O músculo em atividade usa glicose mesmo com pouca insulina e fica mais sensível a ela depois. A recomendação geral é de pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada (uma caminhada em que você consegue falar, mas não cantar), mais exercício de força duas a três vezes por semana. Uma caminhada de 10 a 15 minutos depois das refeições principais já é um começo.

3. Olhe o padrão, não o alimento isolado.

4. Cuide do sono. Dormir pouco e mal aumenta a resistência à insulina e a fome no dia seguinte. É um dos fatores mais esquecidos.

5. Marque a data do próximo exame. O pré-diabetes pede acompanhamento. Na maioria dos casos, o médico pede reavaliação pelo menos uma vez por ano.

O que não fazer

Quem está escrevendo isto

Sou nutricionista, mestre em Nutrição pela UFSC, com residência em Atenção Básica, e atendo exclusivamente pessoas com diabetes e pré-diabetes. Também vivo com diabetes tipo 1 há mais de 20 anos, então sei por dentro o que é viver olhando para números de glicemia.

O que eu não prometo

Não prometo "reverter" nem "curar" o pré-diabetes. O que a evidência mostra é que dá para reduzir bastante o risco de evoluir para diabetes tipo 2, e que esse efeito depende de mudanças que se sustentam no tempo.

Perguntas que aparecem toda semana

Glicemia de jejum de 99 é normal? Pelo critério da SBD, sim (abaixo de 100). Mas um número no limite, junto com fatores de risco como histórico familiar, cintura aumentada ou pressão alta, merece atenção e acompanhamento.

Posso ter pré-diabetes com glicemia de jejum normal? Pode. Algumas pessoas têm a glicada ou a curva glicêmica alteradas com o jejum normal. Por isso o médico pode pedir mais de um exame.

Pré-diabetes dá sintoma? Quase nunca. Por isso o rastreio importa: a ADA e a SBD orientam exames a partir dos 35 anos, ou antes com fatores de risco.

Tenho pré-diabetes. Preciso de nutricionista? Não é obrigatório, mas ajuda a transformar "coma melhor" em um plano que cabe na sua rotina e a acompanhar o que muda nos exames.

Para começar

Se você não sabe qual é o seu risco, a Sociedade Brasileira de Diabetes tem um teste gratuito em diabetes.org.br/risco-dm2. Ele não substitui exame, mas ajuda a decidir se é hora de procurar avaliação.

Se você já tem o exame e quer um plano feito para a sua rotina, o atendimento é presencial em Florianópolis, em São José e online para todo o Brasil.

Fontes: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, ed. 2026 · Diagnóstico de diabetes mellitus; Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (edição vigente, capítulo de prevenção do diabetes tipo 2); American Diabetes Association, Standards of Care in Diabetes 2026, seções 2 e 3; Diabetes Prevention Program Research Group, N Engl J Med, 2002.

Maria Eduarda Zytkuewisz Camargo, CRN-10/7247. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

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